Cate aí em cima… Radio Mutantes no Autormentado’s Blog’n'Roll. Banda do caralho!
Vocês já ouviram falar de um xarope chamado Bentyl? Alucinógeno… co–di-loco! Tem uma historinha aí embaixo…
Trilha sonora: segue um aperitivo dos Mutantes (essas são algumas das menos psicodélicas, são mais fáceis de digerir). Mas vale a pena conhecer melhor a obra dos caras, e da cara – a Rita Lee!
Posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha o rock and roll (Mutantes)
Bat Macumba (Mutantes)
Meu Refrigerador Não Funciona (Mutantes)
Panis et Circenses (Mutantes)
Banho de Lua (Mutantes)
Os Mutantes me lembram um xarope chamado Bentyl. Coisas da minha juventude pervertida e alucinada!
Na época eu tirava onda de hippie e estava naquela onda de descobrir as portas da percepção (Lembram dos Doors?). Tudo papo furado, só queria mesmo é ficar doidão!
Um dia um amigo me apresentou o Bentyl. Dê uma olhadinha no que diz em trechos do rótulo (em azul):
FORMA FARMACÊUTICA E APRESENTAÇÃO:
Solução: Frascos com 15 ml (nota minha: equivale a 600 gotas!)
INDICAÇÕES:
No tratamento de distúrbio funcional da síndrome do colon irritável (colon irritável, colon espástico e colite mucosa).
ADVERTÊNCIAS:
A administração de drogas anticolinérgicas, em indivíduos sensíveis, pode desencadear quadro psicótico. Os sinais e sintomas para o lado do Sistema Nervoso Central (SNC) incluem confusão, desorientação, perda de memória de curta duração, alucinações, disartria, ataxia, coma, euforia, displicência, fadiga, insônia, agitação e maneirismo e distúrbios da afetividade. Estes sinais e sintomas geralmente desaparecem 12 a 24 horas após a interrupção do medicamento.
POSOLOGIA:
Adultos: 10 – 40 mg (aprox. 20 – 80 gotas), 3 a 4 vezes ao dia. Não se deve exceder a dose diária de 160 mg.
NÃO TOME REMÉDIO SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO. PODE SER PERIGOSO PARA SUA SAÚDE.
VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA
Como dizem por aqui… “véio, o baguio é loco!”. Não sei o que tinha na cabeça para tomar uma coisa dessas! Mas foi bom… experimentei muita coisa e curti um bocado!
Eu tinha uns 17 anos. A gente ia na farmácia, como se fosse na padaria, e pedia: “Aê, minha avó pediu para eu vir comprar dois vidros de bentyl…”. E costumava colar! Rara foram as veses que tivemos qeu ir em outra farmácia.
E o mais escroto é que essa farmácia ficava bem de frente ao barzinho (pé-sujo) que a gente frequentava. Várias vezes a gente estava tomando uma breja no bar, só atravessava e comprava essa merda.
Funcionava assim: a gente tomava o vidro inteiro de uma só vez. O gosto é o pior que já senti na minha vida. Saca aquela buceta suada, depois de um dia inteiro no camping com o sol de rachar? Pois é, a boceta suada ainda tem o gosto muito melhor!
Aí levava uns 40 minutos para a onda começar a bater. A gente sempre ficava naquela de “porra, não tá batendo…” e ia ficando mole e se jogando nos bancos, cadeiras e sofás. De repente estava cada um no seu próprio mundo, cheio de cores, animais, e outras alucinações passageiras.
Era engraçado, uma das alucinações mais recorrentes era achar que tinha caído a carteira de dinheiro ou chaves. Essa acontecia com todo mundo! Aí a gente ficava que nem um pastel abaixado passando a mão no chão tentando pegar uma coisa que não existia.
Legal também é quando a gente percebia que tudo aquilo que a gente estava vendo não existia. A gente começava a tentar explicar para os outros qual era a viagem e, no meio da explicação, alguns segundos depois, a gente esquecia tudo e nunca terminava a história. Aí vinha a gargalhada de todos – como se estivesse caretas, os filhos das putas!
E não parava por aí, era prédio dobrando como se fosse uma onda em cima da gente; a tentativa de “virar a página” da almofada que estava do nosso lado (como se fosse um livro); estender a mão para cumprimentar uma pessoa que não estava ali; tentar convencer a todos que tinha uma tartaruga em cima do armário do quarto; objetos inanimados se mexendo no ambiente, como se tivesse vida e vontade própria; nossas línguas que pesavam uns 12 kg dentro da boca…
Não dava pra tirar de careta quando tomava essa porra. Não deixava cheiro, marola, nem nada. Mas a gente ficava parecendo zumbis. Um pessoalzinho do prédio achava que era porre de bebida, mas nós não dávamos mole com as alucinações, e nos metíamos na casa de um, de outro, ou tomava no pátio de madrugada – quando não ficava ninguém para testemunhas as alucinações.
Como falei, o baguio era foda! A gente perdia a manivela mesmo!!! Mas nunca rolou uma bad trip em ninguém da galera.
É claro, sempre tem um que tem mais é que se foder mesmo… essa vez éramos uns 10 malucos, todos do mesmo prédio. Um deles era o Marcelo. Viado toda vida! Para distinguir ele de outro colega que também se chamava Marcelo, a gente chamava ele de Marcelo Afetado. Apelido carinhoso, não acham?
O Marcelo nunca foi de drogas, nem bebidas. O negócio dele era caralho mesmo. dos outros, lógico! Mas ele respeitava a galera do prédio e só dava o rabo para pessoas de fora (e os porteiros, claro).
Uma vez pegaram o Waldir, vigia noturno, comendo o rabo dele dentro de um carro na garagem. Foi a notícia do ânus no prédio! E o Waldir rodou, claro!”
Mas esse dia o Marcelo entrou numa de ficar louco com a galera e tomou a porra do bentyl também. Como todos nós já estávamos acostumado com a onda, e ele era cabaço no xarope, ele acabou sendo a atração com seus delírios e alucinações. Mas chegou uma hora que encheu o saco e começamos a andar pela rua… eis que o Afetado resolve entrar numa obra de prédio e disse que ia ficar por lá.
A galera ficou na maior dividida, porra deixar o cara mutcho loco sozinho na parada não era uma coisa muito legal. Mas ao mesmo tempo, todos já estávamos recobrando nossa sobriedade e o Marcelo insistiu em ficar lá. Belê!
No dia seguinte o filho da puta disse que deu o cu pra uns quatro piões de obra que tinha lá! como dizem por aí, “cada um come por onde sente fome”.
Por coincidência, ou precaução, foi a última vez que a galera se reuniu para tomar o bentyl. Vai que desse vontade da gente dar o cu também… Sai fora!!!
O Marcelo (o Afetado) também era médium e recebia uns espíritos de vez em quando. Uma vez, numa “brincadeira do copo” quase deu merda. Até hoje me cago todo quando lembro das paradas que rolou!!! Um dia conto aqui.
Bom, ‘Os Mutantes’ é um pouco dessa alucinação toda, porém em forma de música. Com suas letras, acordes e melodias únicas.
Tanto é que virou uma banda cult nos EUA e na Europa. E o Kurtt Cobain (Nirvana) foi um dos responsáveis por ajudar a resgatar a memória da banda, dizendo-se grande fã dos Mutantes. Além de outras tantas personalidades da música mundial.
Enfim, a Radio Mutantes está no ar! Aproveitem!!!
Um abraço AuttorMentado!
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Faltou dizer que antes de deixarmos o Marcelo Afetado sozinho, ele ficou uns 30 minutos abraçado uma árvore, conversando com ela. E que voltou para o prédio de manhã, escoltado pela polícia, todo roxo e arrebentado, pois tinha tomado porrada dos peões da obra. Lembra também da carcaça do cachorro latindo?
Xaropinho muito doido esse Bentyl… .
É verdade… o viadinho se fodeu todo! Quem mandou morder o pau do peão!
Véio, de vez em quando vem uns flashbacks, mas os neurônios já não são mais os mesmos!
Não queria entregar não, mas acabei de lembrar que vc foi cunhado do Afetado! Deu uns comes na irmã dele (se bobear nele também, né?!)
Puta cunhado escroto da porra!